Carta Xapuri honra memórias e legado de Chico Mendes

Durante três dias, 15 a 17, mais de 500 ativistas de vários lugares da Amazônia, do Brasil e do planeta contribuíram com o “Encontro Chico Mendes 30 anos: Uma Memória a Honrar. Um Legado a Defender” – Foto: Gleilson Miranda

As ideias revolucionárias do humanista e ambientalista acreano Chico Mendes são a base das políticas públicas de desenvolvimento sustentável no mundo. O movimento que liderou com outros companheiros e companheiras na década de 80 resultou na criação das reservas extrativistas no Brasil, entre outras conquistas.

Durante três dias, 15 a 17, mais de 500 ativistas de vários lugares da Amazônia, do Brasil e do planeta contribuíram com o “Encontro Chico Mendes 30 anos: Uma Memória a Honrar. Um Legado a Defender”, promovido na cidade natal do líder sindicalista.

A atividade histórica resultou na criação da Carta Xapuri – manifesto construído coletivamente para reafirmar o compromisso com a defesa da Amazônia, das populações que nela vivem e impulsionar o pacto de gerações entre as lideranças do ontem, hoje e do amanhã.

Emocionada, Angela Mendes, filha de Chico e coordenadora do Comitê Chico Mendes, agradeceu o empenho de todos os homens e mulheres que acreditam numa sociedade com equidade de gênero, justiça social e ambiental, legado de luta que herdou do pai.

“Conheci meu pai por meio dos amigos, amigas, companheiros e companheiras que lutaram com ele e que consolidaram esse movimento. Quando o assassinaram, eu ainda era muito jovem e nem entendia tudo isso. E é assim, juntos, que mantemos a memória de Chico viva, compartilhado histórias e encabeçando suas lutas e sonhos por um mundo justo. Chico, vive!”, ecoou Angela Mendes em meio aos aplausos e gritos de resistência no encerramento do encontro.

Nesses três dias, Xapuri foi palco de um encontro que reuniu extrativistas, produtores e produtoras, indígenas, gestores e gestoras públicas, lideranças renomadas do movimento social, sociedade civil, sindicalistas, jornalistas e ativistas para discutir o legado e a continuidade das políticas públicas de desenvolvimento sustentável social, mediante os cenários políticos de retrocesso.

Zezé Weiss, jornalista socioambiental e organizadora do evento, destacou a relevância do evento. “Esse é um momento de celebração, de saudade, mas, sobretudo, de esperança. Porque a partir desse encontro de gerações nasceram as sementes da resistência, que sobreviverão aos tempos difíceis que se aproximam.”

Como forma de reconhecer a contribuição de milhares de Chico Mendes espalhados no mundo, o Conselho Nacional de Populações Extrativistas (CNS) homenageou 30 líderes ambientalistas que, acompanhados de outras 30 jovens sonhadores, foram aplaudidos, demonstrando que os empates continuarão até quando forem necessários.

Entre lágrimas de saudade e alegria por tudo que já foi construído, Joaquim Belo, presidente do CNS, reafirmou a aliança entre os povos. “Saímos daqui renovados para continuar na luta. Com bem diz o Dom Moacyr, o mundo não é lugar para descanso. Ninguém solta a mão de ninguém.”

A Carta Xapuri foi declamada pela atriz, ativista socioambiental e amiga de Chico Mendes, Lucélia Santos. As palavras deram vida aos sentimentos de todos os homens e mulheres, que na praça de Xapuri, selaram o compromisso de continuar “lutando para salvar a humanidade”.

Emanados pelo senso de justiça e resistência, os participantes encerram o Encontro Chico Mendes 30 anos clamando em uma só voz: “ninguém abandona a defesa dos povos da floresta!”, “ninguém desiste do legado de chico mendes!”, “ninguém solta a mão de ninguém!”, “Chico, vive!”.

Agência Notícias do Acre