Bancadas da Câmara evitam adesão oficial à base de Bolsonaro, mas demonstram alinhamento

Após duas semanas recebendo bancadas partidárias da Câmara em Brasília, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) recebeu poucas declarações de apoio oficial, mas o discurso da maioria dos líderes indica que ele terá apoio na maior parte das pautas legislativas.

Em quatro dias de reunião no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde trabalha a equipe de transição para o futuro governo, Bolsonaro já recebeu mais de 300 parlamentares de PP, MDB, PR, PRB, DEM, PSDB, PSD e Podemos, além de sua própria legenda, o PSL.

Exceto pelo PSL, que elegeu 52 deputados (segunda maior bancada da Câmara, atrás apenas do PT, com 56), e o PRTB, do vice-presidente eleito general Hamilton Mourão (que hoje não tem parlamentar), apenas o PR, que começará 2019 com 33 deputados, fez adesão oficial à base.

Os demais partidos, em geral, demonstraram apoio às principais demandas do próximo governo, como a reforma da Previdência. “O que for bom para o Brasil vai contar com o apoio do PSD”, resumiu Domingos Neto (PSD-CE), líder do partido na Câmara.

Esse discurso foi repetido pela maioria dos líderes de bancada que já visitaram Bolsonaro: aplaudem a intenção do governo de extinguir o chamado “toma-lá-dá-cá”, negam interesse em cargos de segundo e terceiro escalões e afirmam não ver, hoje, divergências relevantes em relação às propostas do futuro presidente.

Dos 30 partidos que elegeram deputados na última eleição, quatro emplacaram nomes entre os 22 futuros ministros de Bolsonaro: o DEM terá três pastas (Casa Civil, Saúde e Agricultura) e o PSL ficou com duas (Turismo e Ciência e Tecnologia).  Garantiram uma pasta o MDB (Cidadania) e o Novo (Meio Ambiente).

Mesmo nesses casos, porém, o governo e as legendas afirmam que as indicações foram técnicas, e não partidárias. Mas casos como o do futuro ministro da Saúde, Mandetta e o do próprio coordenador da equipe de transição, Onyx Lorenzoni (próximo chefe da Casa Civil), ambos deputados do DEM, sugerem que o critério técnico não foi determinante na escolha.

Ambos são investigados – Mandetta é alvo de inquérito sobre crimes contra a Lei de Licitações e tráfico de influência (seu processo foi enviado para instância judicial inferior em 17 setembro passado, em razão do novo entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre foro privilegiado); Onyx já admitiu ter recebido, na campanha eleitoral de 2014, R$ 100 mil da JBS por meio de caixa dois e por isso também responde a inquérito no Supremo. Uma vez ministros, só poderão ser julgados por crimes eventualmente cometidos durante o exercício do novo mandato e em razão dele, e com o privilégio de contar com a morosidade do STF.

Congresso em Foco