Artista de rua é atração no Calçadão da Benjamim Constant, em Rio Branco

“Fico cerca de sete horas como estátua. Demoro em média 20 minutos para me maquiar”, disse Robson – Fotos: Regiclay Saady

Por Dell Pinheiro – dell.81@hotmail.com – No Calçadão da Benjamim Constant, principal centro de comércio popular da capital acreana, o movimento de transeuntes é intenso durante todos os dias da semana. No meio do grande fluxo de pessoas, da venda de lanches, roupas, calçados, produtos de beleza, acessórios, eletrônicos, e das mais variadas mercadorias, um tipo de performance artística, a estátua viva, chama a atenção dos que passam naquele local.

Robson Dutra atrai olhares curiosos com uma atração que existe desde a época do Renascimento e que se tornou popular em Amsterdam, na Holanda. O artista de rua, natural de Rondônia, falou um pouco sobre a sua trajetória.

“Já desenvolvo esse trabalho há mais de treze anos. Comecei tudo em Manaus. De lá, fui para a Bahia e retornei a minha cidade natal. Agora estou no Acre. Gostei daqui, graça a Deus que o público me recebeu com muito carinho e tem aceitado o meu trabalho”, salientou Dutra.

Ele também comentou que vive somente da arte. “Sustento a minha família com arte. Tudo o que faço é relacionado à cultura. Trabalho também com eventos, como palhaço, animação de festas infantis, em formaturas e casamentos. A arte é minha paixão”.

Robson Dutra atrai olhares curiosos com uma atração que existe desde a época do Renascimento e que se tornou popular em Amsterdam, na Holanda

Dutra disse que chega ao Calçadão oito horas da manhã e saio às cinco horas da tarde e falou que tem que ter bastante treinamento e um psicológico bom para fazer o que ele faz. “Fico cerca de sete horas como estátua. Demoro em média 20 minutos para me maquiar. Pessoas que não tem o conhecimento da arte criticam o meu ofício, mas com o tempo aprendem a admira e valorizar o que faço”, frisou o artista.

Como surgiram as estátuas vivas?

A origem das estátuas vivas está intimamente ligada à do teatro como expressão artística. A primeira menção a uma performance do gênero está ligada ao teatro grego, que originou o nosso teatro. Na Grécia Antiga, para tornar o ator mais visível, eram usados sapatos de plataformas altíssimas, túnicas amplas e máscaras, de tal forma que, quando permaneciam parados por muito tempo, também representavam estátuas.

Já em Roma, por questões políticas, os espetáculos teatrais eram permitidos somente através da mímica – ideias e sentimentos deveriam ser exprimidos através de gestos e expressão corporal. Os mímicos improvisavam em praças públicas e lugares ao ar livre, para fazerem críticas ao governo.

“Sustento a minha família com arte. Tudo o que faço é relacionado à cultura”, comentou o artista

Tempos depois, na Europa, nasceram as estátuas vivas como as conhecemos atualmente, pelas mãos de artistas que se passavam por estátuas na rua. Atualmente essa forma de arte é difundida em quase todo o mundo e se apresenta cada vez mais aprimorada e requintada. Em diversos países, festivais de estátuas vivas são comuns e atraem milhares de pessoas.