Aleac abre ano legislativo com mensagem de Gladson Cameli

Sessão ordinário contou com a presença do governador do Estado, além de representantes do Poder Judiciário, Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado – Foto: Agência Aleac

Na leitura da mensagem governamental, chefe do Executivo pregou aliança de poderes para servir ao povo

A primeira sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Estado do Acre neste ano contou com a presença do governador Gladson Cameli e de representantes do Poder Judiciário, Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado.

Gladson fez a leitura da mensagem governamental ao povo acreano destacando que o Estado vive um momento de crise muito grande, mas que não será necessário ser submetido a uma intervenção financeira pelo menos até março.

O governador pediu a compreensão de todos e lembrou que vai priorizar setores mais importantes do Estado como Saúde, Segurança e Educação. Reiterou que o agronegócio ainda é sua prioridade, visto que se trata de um segmento capaz de gerar emprego e renda para o Estado, contemplando jovens que saíram das universidades e estão esperando por uma oportunidade de emprego.

“Pegamos um estado com muita dificuldade financeira e por conta disso, elaboramos um plano de governo de 100 dias para mostrar resultados”, comentou ele. Outra área que merece atenção especial segundo o governador, é o combate de doenças endêmicas como a dengue e outras típicas da região, como a malária.

Na área de Educação, Gladson afirmou que fará investimento maciço no combate à evasão escolar e ao analfabetismo. Na área de Segurança, citou a aquisição já realizada de novas viaturas, armas e munição. Também destacou investimentos em infraestrutura com a retomada de obras paradas e melhoramento dos ramais para o escoamento da produção agrícola.

Gladson também destacou a reforma administrativa com a redução de cargos comissionados e extinção de secretarias que, segundo ele, só serviam para inchar a folha de pagamentos. “Sei que a minha missão será dura e árdua, mas quero dizer que vou dar o melhor de mim para que o Estado possa entrar nos trilhos e estou pronto e preparado para que todos os acreanos possam ter mais tranquilidade, segurança e comodidade em suas casas”, garantiu.

Antes da leitura da mensagem governamental, logo ao chegar no salão nobre, Gladson concedeu entrevista coletiva explicando que fez questão de estar presente na sessão inaugural da Aleac para poder passar uma mensagem positiva, transmitindo paz e tranquilidade para a população. “Este é um governo de todos, eu não posso governar só, sem o apoio do Poder Legislativo. Esta é a mensagem que estou levando para todos, que levei para a posse do desembargador Djalma na presidência do TJ e na mensagem para a prefeita de Rio Branco, na Câmara de Vereadores, que serve para todas as câmaras do Acre”, afirmou.

Na leitura da mensagem governamental, Cameli afirmou que vai priorizar setores mais importantes do Estado como Saúde, Segurança e Educação – Foto: Odair leal

Gladson disse que o Orçamento elaborado pelo Governo anterior trouxe embutido um montante de R$ 600 milhões sem origem, fictícios e, portanto, inexistentes, e apesar disso, acredita que até o mês de março poderá governar sem pedido de intervenção financeira.

Por outro lado, o governador declarou para os parlamentares e para a Imprensa que seu Governo deve ser criticado para que ele possa detectar o problema que causa dor ao povo acreano. “Eu não sei de tudo o que acontece, por isso conto com a ajuda dos parlamentares e da imprensa. Quero receber críticas construtivas, mas não vou aceitar críticas eleitoreiras”, disse, esclarecendo que orientou seu secretariado para que não paute a Imprensa para que os jornalistas possam exercer seu direito de livre expressão.

Provocado por um jornalista sobre o andamento de seu plano para 100 dias de governo, Gladson disse que nestes 35 dias no comando do Estado o que produziu de concreto foi o incremento da presença de policiais nas ruas, aquisição de novas viaturas, armas e munição. “É preciso passar uma sensação de segurança para a população”, disse. Ao final dos 100 dias Gladson adiantou que fará um balanço das ações e verificará o que deverá ser revisado.

Ao fim da entrevista, Gladson comentou que recebeu pela manhã um grupo de PMs aprovados em concurso público que foram até a Casa Rosada reivindicar a contratação. “Vamos fazer um cronograma e ver quanto vai custar para os cofres a contratação de todos eles, afinal, eles passaram em um concurso e querem oportunidade de trabalho, mas eu não posso convocar agora, pois não tenho como pagar seus salários”, disse.

A sessão de abertura dos trabalhos da Aleac contou com as presenças da procuradora-geral de Justiça, Kátia Rejane; do conselheiro do TCE, Cristóvão Messias, representando o presidente, Valmir Ribeiro; da presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Acre, Regina Ferrari Longuini e do presidente do TJ, Francisco Djalma.

Nicolau se alinha ao discurso do enxugamento da máquina

Fazendo coro aos discursos dos chefes do Executivo e do Ministério Público, o deputado Nicolau Júnior, presidente do Legislativo estadual, afirma que a Aleac também terá que passar por um enxugamento da máquina para reduzir custos e contribuir para com o esforço do Estado afim de sair da crise econômica.

“Eu preciso de um tempo para organizar a Casa de forma a torna-la mais transparente e ajudar o Governo a trazer o desenvolvimento para o Estado. Vamos sentar para discutir com a Mesa Diretora um foco de gestão visando o enxugamento da máquina e a aproximação dos deputados com o povo. Vamos trabalhar juntos com os 24 deputados para que cada um expresse o seu ponto de vista, como deve ser em um parlamento democrático”, afirmou Nicolau.

Para o deputado, neste momento de crise que o Acre está vivenciando, a Aleac tem que priorizar debates que tragam ajuda ao Governo. “Acho justo que neste momento de crise os deputados se organizem para ajudar o Governo, pois a expectativa é de que o Brasil retome o crescimento e daí melhora para todo mundo”, argumentou.

Oposição garante críticas, mas com responsabilidade

O deputado Daniel Zen (PT) fez pronunciamento nesta terça-feira, 5, garantindo ao governo Cameli fazer oposição com duras críticas e fiscalização ferrenha dos atos administrativos, mas com responsabilidade e respeito. “Não haverá de nossa parte atos visando levar entraves aos projetos do Executivo que beneficiem o povo”, comentou ele.

O comunista Edvaldo Magalhães (PC do B), que foi ex-presidente da Aleac por dois mandatos entre 2007 e 2010, disse em seu pronunciamento que o Governo não deve esperar da bancada oposicionista um silêncio de cemitério. De acordo com ele, alguns colegas começam o mandato com euforia e boas intenções, mas acabam falando o desnecessário e mais tarde têm que desdizer o que disseram. “Ouvi aqui na mensagem governamental que a população terá em pouco tempo a sensação de segurança. Sabemos que isso não é verdade porque o momento é de muita cautela”, comentou.

O deputado emedebista Roberto Duarte disse em seu discurso que as cobranças serão duras porque o Governo pegou um Estado sucateado e sofre com uma crise financeira “indescritível” e que cortará na própria carne se for preciso para que o Acre retome seu curso natural. Duarte também comentou que recebeu um telefonema nesta manhã do ex-prefeito Marcus Alexandre, candidato derrotado para o Governo, elogiando sua atuação como ex-vereador da Câmara de Rio Branco.

O líder do governo, deputado Gehlem Diniz (PP) fez sua estreia na tribuna como parlamentar situacionista, ele que era líder da oposição ao governo do PT. Em seu pronunciamento, Gehlem disse ter certeza que vai participar de bons debates. “O Estado atravessa momentos difíceis”, afirmou, lembrando que o governo terá que repassar R$ 40 milhões mensais para a previdência estadual.

Gehlem disse, ainda, que o Governo deixou dívidas com fornecedores, funcionários terceirizados e metade do décimo terceiro salário dos funcionários. Segundo ele, os desafios não serão apenas do Poder Executivo, mas também dos demais poderes que deverão estar unidos para amenizar a crise.

“A sensação de violência é algo inegável e temos que reverter. Nos hospitais falta tudo, nas escolas também. Sabemos que levaremos tempo para recuperar a sensação de segurança, sabemos que nessa casa haverá muitos debates, alguns acalorados, mas com certeza atenderão às necessidades do povo”, concluiu ele.

Dora Monteiro